quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sistema Esquelético Humano

ATIVIDADE DE SISTEMA ESQUELÉTICO HUMANO


01-Você saberia citar 3 função principal do esqueleto humano?
02-Quantos ossos possui o nosso esqueleto, aproximadamente?
03- Como se chama a caixa óssea, em nossa cabeça, que protege o encéfalo?
04- Qual o único osso móvel de nossa face?
05-Quantas são as costelas?
06- Onde se situa o osso esterno?
07-Você poderia citar ao menos oito nomes de ossos de nosso esqueleto?

08-Leia o texto e responda:

O esqueleto ( Walter Nieble de Freitas )

Por causa de um esqueleto
Corri a não poder mais:
Assustado entrei em casa
E contei tudo a meus pais
“O esqueleto, seu bobinho,
Nunca foi assombração:
É ele um conjunto de ossos
Dispostos em armação.
Sua função principal
É manter o corpo ereto;
Tem cabeça, tronco e membros
Todo esqueleto completo.
Preste, pois, muita atenção,
Guarde bem, jamais se esqueça:
Somente de crânio e face
Se constitui a cabeça.
O tronco tem só três partes,
Vou dizer-lhe quais são elas:
A coluna vertebral,
O esterno e as costelas.
Os membros são conhecidos:
Os de cima superiores;
E os que servem para andar,
São chamados inferiores”.
Até agora não compreendo
Como é que fui tolo assim:
Correr de um pobre esqueleto
Tendo outro esqueleto em mim!

.........................................................................................................................................

a) Em sua opinião, por que o esqueleto humano provoca medo em algumas pessoas.

b) De acordo o texto, o esqueleto está dividido em 3 partes, quais são elas?

c) Por que o garoto se convenceu que o esqueleto não faz medo?


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Escolher 2 textos e interpretar (Márcia, Penoa)

TEXTO 01:

 A CARTA DE AMOR 

          No momento em que Malvina ia por a frigideira no fogo, entrou a cozinheira com um envelope na mão. Isso bastou para que ela se tornasse nervosa. Seu coração pôs-se a bater precipitadamente e seu rosto se afogueou. Abriu-o com gesto decisivo e extraiu um papel verde-mar, sobre o qual se liam, em caracteres enérgicos, masculinos, estas palavras: “Você será amada…”.
        Malvina empalideceu, apesar de já conhecer o conteúdo dessa carta verde-mar, que recebia todos os dias, havia já uma semana. Malvina estava apaixonada por um ente invisível, por um papel verde-mar, por três palavras e três pontos de reticências. “Você será amada…”. Há uma semana que vivia como ébria.
          Olhava para a rua, e qualquer olhar de homem que se cruzasse com o seu, lhe fazia palpitar tumultuosamente o coração. Se o telefone tilintava, seu pensamento corria célere: talvez fosse “ele”. Se não conhecesse a causa desse transtorno, por certo Malvina já teria ido consultar um médico de doenças nervosas. Mandara examinar por um grafólogo a letra dessa carta. Fora em todas as papelarias à procura desse papel verde-mar e, inconscientemente, fora até ao correio ver se descobria o remetente no ato de atirar o envelope na caixa.
         Tudo em vão. Quem escrevia, conseguia manter-se incógnito. Malvina teria feito tudo quanto ele quisesse. Nenhum empecilho para com o desconhecido. Mas para que ela pudesse realizar o seu sonho, era preciso que ele se tornasse homem de carne e osso. Malvina imaginava-o alto, moreno, com grandes olhos negros, forte e espadaúdo!
        O seu cérebro trabalhava: seria ele casado? Não, não o era. Seria pobre? Não podia ser. Seria um grande industrial? Quem sabe?
          As cartas de amor, verde-mar, haviam surgido na vida de Malvina como o dilúvio, transtornando-lhe o cérebro.
        Afinal, no décimo dia, chegou a explicação do enigma. Foi uma coisa tão dramática, tão original, tão crível, que Malvina não teve nem um ataque de histerismo, nem uma crise de cólera. Ficou apenas petrificada.
          “Você será amada… se usar, pela manhã, o creme de beleza Lua Cheia. O creme Lua Cheia é vendido em todas as farmácias e drogarias. Ninguém resistirá a você, se usar o creme Lua Cheia.
          Era o que continha o papel verde-mar, escrito em enérgicos caracteres masculinos.
Ao voltar a si, Malvina arrastou-se até ao telefone:
– Alô! É Jorge quem está falando? Já pensei e resolvi casar-me com você. Sim, Jorge, amo-o! Ora, que pergunta! Pode vir.
A voz de Jorge estava rouca de felicidade!
E nunca soube a que devia tanta sorte!
( André Sinoldi )
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1. Substitua as palavras destacadas por sinônimos:
a) Seu rosto se afogueou.
b) Seu pensamento corria célere.
c) Quem escrevia, conseguia manter-se incógnito.
d) Afinal, chegou a explicação do enigma.
    e) Malvina arrastou-se até ao telefone.
f) Seu coração pôs-se a bater precipitadamente.
g) Ficou apenas petrificada. 
2. Quem é o protagonista do texto lido?
3. Identifique a frase do texto que revela, com clareza, que Malvina reagia alucinadamente.
4. Que frase do texto revela que Malvina, se encontrasse o autor das cartas, lhe seria submissa?
5. Qual é o elemento gerador do conflito nesta história?

TEXTO 02:


A INVENÇÃO DO TELEFONE

         Garotinho ainda, o escocês Graham Bell dizia aos pais que quando crescesse queria ser inventor. Mas vocês sabem, querer ser inventor na Escócia é algo assim como nascer com vocação para astronauta em São Luís do Maranhão. A Escócia não é exatamente um país de inventores. Os poucos que pretendiam sê-lo, no caminho de casa para a oficina acabavam sempre entrando num bar e na oitava dose da maior invenção escocesa já não lembravam mais o que queriam inventar. Graham Bell salvou-se porque não bebia. De qualquer maneira não via muito futuro na Escócia onde tudo o que se poderia inventar já tinha sido inventado: a bicicleta, o uísque, a gaita de fole e a saia escocesa.
Contrariado com essa falta de perspectiva, Bell um dia chegou em casa e anunciou que iria para os Estados Unidos, “país onde estão inventando as coisas”. Arrumou sua maleta (parecida com a dos funcionários da Telerj), passou uns tempos na Alemanha, no Canadá e, finalmente, instalou-se em Boston onde depois de se naturalizar norte-americano deu um pulinho no Registro de Inventos e Patentes e, muito seguro de si, perguntou ao funcionário: “Por obséquio, eu gostaria de saber o que está faltando ser inventado aqui”. O funcionário pediu para aguardar um pouco e consultou uma longa lista: “Bem, ainda não apareceu ninguém para inventar o telefone”.
– Então, deixa comigo – afirmou Bell cheio de confiança.
Na realidade, Bell quase teve de inventar outra coisa para ver seu nome nas enciclopédias. Antes dele outro americano, Page, já desconfiava que as ondas elétricas podiam transmitir o som; um francês, Bourseul, afirmou que as palavras podiam ser levadas tanto pelo correio como pela eletricidade e o alemão João Felipe chegou a construir um telefone e só não tirou patente porque seu dinheiro acabou e ele não pôde construir o outro aparelho: com um aparelho só, como poderia falar no telefone?
Mas o grande adversário de Graham Bell foi um eletricista de Chicago chamado Elisha Gray. No dia 12 de fevereiro de 1876 Bell entrou no Escritório de Registros de Invenções de Boston com seus telefones debaixo do braço, sem saber que naquele mesmo dia Elisha fazia a mesma coisa em Chicago. Os dois se proclamaram inventores do telefone. A polêmica tomou conta do país e foi parar no tribunal, que deu vitória a Bell. Segundo o juiz, Bell só se tornou o inventor oficial do telefone porque conseguiu linha primeiro.
A invenção repercutiu por todo o mundo. Dia seguinte já havia uma multidão na porta da casa de Graham Bell querendo conhecer aquele aparelhinho misterioso. E formou-se então a primeira fila para falar no telefone. Bell, que investiu todo o seu dinheiro na invenção, não esperava tamanho sucesso. “Se soubesse que ia ser assim”, confidenciou a uns amigos, “teria tratado de inventar antes a ficha do telefone”. As pessoas se aproximavam entre curiosas e amedrontadas, observavam aquele aparelhinho em cima da mesa e perguntavam a Bell: “Pra que serve mesmo?”
– Pra falar com outra pessoa.
– Posso tentar?
Bell deixava o cidadão à vontade. O aparelho, evidente, era daqueles modelos antigos, com o bocal na própria haste, separado da parte onde encaixa o ouvido. O cidadão pediu à sua mulher para que se afastasse, pegou o aparelho e sem experiência no manejo colocou o bocal no ouvido e o fone na boca. DE início tentou colocar dentro da boca, como se fosse uma banana, mas, percebendo que o som não saía, afastou-o e disse: “Mulher, está me ouvindo?”. A mulher, a três metros de distância, respondeu: “Estou”.
– Que que você acha desse telefone? (As pessoas ainda não estavam familiarizadas com o nome do aparelho.)
– Maravilhoso! – exclamou parada, enquanto observava o marido trêmulo segurando o aparelho.
– Incrível – berrou o marido, ao ouvir a resposta da mulher. – É fantástico. Inacreditável. Ele ouve mesmo.
Bell, que havia se ausentado da sala, voltou e perguntou ao cidadão: “Como é? Falou?”
– Falei. Claro que falei. Falei com minha mulher. Ela ouviu tudinho.
– Mas esse aparelho é para você falar com as pessoas à distância.
– Ela estava distante. Estava lá perto da porta.
– Eu me refiro a longas distâncias.
– Ah, é? Então, Mary – ordenou o marido -, vá lá para o outro lado da ponte.
– Não adianta – corrigiu Bell. – Ela tem que ter um aparelho também.
– Também? Ora, então qual é a graça? Assim qualquer um fala. Quero ver é você inventar uma conversa a longa distância sem aparelho.
 ( Carlos Eduardo Novaes. A língua de fora. 2a Edição, Rio de Janeiro, Editorial Nórdica, 1979)
 Após a leitura atento do texto responda às questões a seguir.
  1. O Autor é, sobretudo, irônico. O que quis dizer com “… querer ser inventor na Escócia é algo assim como nascer com vocação para astronauta em São Luís do Maranhão.”?
  2. Se não havia perspectiva na Escócia, o que Graham Bell decidiu fazer?
  3. Por que Graham Bell “… quase teve que inventar outra coisa para ver seu nome nas enciclopédias”?
  4. O texto informa que duas pessoas se proclamaram inventores do telefone. Quem foram?
  5. As pessoas se sentiam à vontade ao experimentar o telefone?
  6. Para você, o que representou a invenção do telefone?
  7. Que aspectos da vida humana, na sua opinião, foram modificados pelo telefone? Justifique.
  8. Os inventos, em geral, decorrem de uma necessidade. Se você fosse um inventor, que tipo de invento você faria para ajudar as pessoas? Explique.
  9. Cite três invenções que revolucionaram o mundo nos últimos cem anos.

TEXTO 03:


AMARREM OS CINTOS E NÃO FUMEM 

“Atenção, senhores passageiros para o Leblon, queiram apresentar-se ao poste de embarque”. Me despedi rapidamente das duas tias, três primos, uma cunhada, ouvi as apressadas recomendações de minha mãe para que ficasse sempre atento olhando pela janelinha e antes de entrar ainda acenei dos degraus do ônibus. Instalei-me, obedecendo ao painel luminoso que dizia “aperte os cintos e não fume”. Logo depois o motorista acionou os motores, (…) e só não levantou voo pela Rua do Catete porque os engarrafamentos não deram espaço para a decolagem.
Não tínhamos ainda nem fechado dez carros e o trocador veio à frente do ônibus explicando que como iríamos passar pela orla marítima teríamos que aprender – para qualquer emergência – a colocar o colete salva-vidas. O senhor ao meu lado ouvia atento o trocador. Pensei que talvez estivesse fazendo sua primeira viagem de ônibus.
– É verdade, para o Leblon é a primeira. – E interrompido por uma brusca freada, aproveitou para perguntar se a viagem era toda assim.
– Só nos sinais – respondi.
– E tem muitos sinais até o Leblon?
– Uns 500. Deve ter mais sinal do que rua.
À minha frente, uma senhora quis saber do trocador se estávamos no horário. “Estamos atrasados uns quinze minutos”- disse ele. “E se não pegarmos mais do que seis congestionamentos poderemos chagar ao Leblon por volta das oito horas”. Para quebrar um pouco a tensão da viagem, aproveitei e perguntei à senhora o que iria fazer no Leblon.
– Vou visitar uma tia. E o senhor?
– Eu vou a negócios (se for bem sucedido – pensei, mas não disse – volto de táxi).
Era evidente que o meu vizinho não estava preparado para a viagem. Quando abalroamos o terceiro carro, ameaçou saltar. Levantou-se, mas ao olhar para fora percebeu que estávamos em cima do viaduto. Ficou lívido. Querendo distraí-lo, ainda comentei: “É bonita a vista daqui, não?” – Ele não me ouviu. Estava preocupado com os roncos e os mais estranhos ruídos que saíam do ônibus: “Que barulho é esse?” indagou.
– É do ônibus mesmo – disse um cidadão sentado atrás.
– Mas esse ônibus está em péssimo estado – comentou meu vizinho.
– É verdade – voltou o cidadão que gostava de frases feitas – mas não se esqueça que cada coletividade tem um coletivo que merece.
A viagem prosseguiu normal, ou seja: cheia de solavancos, batidas, freadas súbitas e imprudências – a curva que fizemos ao entrar na Barata Ribeiro foi de deixar envergonhada a Esquadrilha da Fumaça. Às 11 horas, então, desembarcamos no Leblon. Antes do ônibus parar, observei pela janelinha que todos os meus parentes que moram no bairro estavam me aguardando. Me despedi do motorista, do trocador e desci à procura de um telefone.
– Um telefone para quê? perguntou meu primo que pratica surf.
– Pra avisar lá em casa que cheguei vivo.
(CARLOS EDUARDO NOVAES. Travessia da Via Crucis. Rio de Janeiro, Editorial Nórdica, 1975)
1. Damos algumas definições através das quais você deve localizar, no texto, as palavras que se enquadram nelas.
a) pôr em movimento – ____________________________
b) beira, margem – _________________________________
c) algo acontecido, ocorrido – _________________________
d) ir de encontro, chocar-se violentamente – ________________________
e) pálido – _____________________________
f) que surgem sem ser previstas – _____________________________
2. Ao dizer: “Atenção, senhores passageiros para o Leblon, queiram apresentar-se ao poste de embarque”, o Autor está ironizando, utilizando a forma de convocar os passageiros de outro veículo de transporte. Que veículo é esse?
3. Em que outros momentos do texto o Autor compara, ironicamente, o ônibus ao avião? Transcreva os trechos.
4. O que são frases feitas? Retire um exemplo do texto.
5. O que o Autor entende por viagem normal, no texto?
6. Que tipo de crítica faz o Autor no texto?
7. Qual a sua opinião e o que deve ser feito a respeito de um motorista de ônibus que exagera na velocidade ao dirigir o veículo?

TEXTO 04:


Da Difícil Arte de Redigir um Telegrama 

          Há uma história famosa a respeito de uns parentes que tinham que comunicar por telegrama, a uma senhora que estava viajando, o falecimento de uma irmã. Regiu a nota. Depois de alguns minutos mostrou o resultado do seu trabalho: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE CORRENDO. TUA IRMÃ MORREU.” Todos leram e um dos tios fez o seguinte comentário:
– Eu acho que não está bom. Afinal de contas, vocês sabem que ela é cardíaca, está viajando e um telegrama assim pode ser um choque.
Todos concordaram, inclusive um outro primo afastado que era meio sovina e achou o telegrama muito longo:
– Depois, o preço que se paga por palavra, isso não é mais um telegrama, é um telegrana.
Ninguém riu do infame trocadilho, mesmo porque, velório não é lugar para gargalhadas. Foi a vez de o cunhado tentar redigir uma forma mais amena que não assustasse a senhora em passeio. Sentou-se e escreveu: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE CORRENDO. SUA IRMÃ PASSANDO MUITO MAL.” Novamente o telegrama não foi aprovado. Um irmão psicólogo observou:
– Não sejamos infantis. Se ela está viajando pela Europa e recebe esta notícia, não vai acreditar na história de “passando muito mal”. Sobretudo com “volte correndo” no meio.
– Também concordo – falou o primo afastado sempre pensando no custo. Então o genro aproximou-se:
– Acho que tenho a forma ideal.
Pegou no bloco e rabiscou rapidamente: “INTERROMPA VOAGEM E VOLTE DEVAGAR. TUA IRMÃ PASSANDO MAIS OU MENOS.” Todos examinaram atentamente o telegrama. A filha reclamou:
– Vocês acham que mamãe é boba? Se a gente escrever que a titia está passando mais ou menos e que ela pode voltar devagar, ela vai adivinhar que todas estas precauções são pelo fato de ela ser cardíaca e que na realidade a irmã dela morreu!
– Concordo plenamente – disse o facultativo da família que era também sobrinho da senhora em questão. Resolveu, como médico, escrever o telegrama: “PACIENTE FORA DE PERIGO. VOLTE ASSIM QUE PUDER. PACIENTE TUA IRMÔ.
De todas as fórmulas até então apresentadas esta foi a que causou mais revolta.
– Que troço imbecil – gritou o netinho que passava pela sala no momento em que a mensagem era lida. Puseram o menino para fora da sala, mas no íntimo a família concordava com ele.
– Não, isso não. Se a gente manda dizer que ela está fora de perigo, para que vamos pedir que ela interrompa a viagem? – argumentou o tio.
– Também acho – responderam todos num coro de aprovação. O filho mais velho resolveu tentar. Pensou bem, ponderou, sentou-se, molhou a ponta do lápis na língua e caprichou: “SE POSSÍVEL VOLTE. TUA IRMÃ SAUDOSA. PASSANDO QUASE MAL. POR FAVOR ACREDITE. CUIDADO CORAÇÃO. VENHA LOGO. SAUDADES SURPRESA”.
– Realmente, esse bate todos os recordes! – disse uma nora professora. Em primeiro lugar, não é “se possível”, ela tem que voltar mesmo. Em segundo lugar, “saudosa” tem duplo sentido. Em terceiro lugar, ninguém passa “quase mal”. Ou passa mal ou bem. “Quase mal” e “quase bem” é a mesma coisa. “Por favor acredite” é um insulto à família toda. Ninguém aqui é mentiroso. Depois, “cuidado coração” não fica claro. Como telegrama não tem vírgula, ela pode pensar que a gente está dizendo “cuidado, coração”, já que a palavra coração também é usada como uma forma carinhosa de chamar os outros. Por exemplo: “oi coração, tudo bem?” E finalmente a palavra “surpresa” no telegrama chega a ser um requinte de crueldade. Qual é a surpresa que ele pode esperar?
– Ela pode pensar que a titia está esperando nenê – falou um sobrinho.
– Aos noventa anos de idade?
Abandonaram a ideia rapidamente. Seguiu-se um longo período de silêncio em que a família andava de lá para cá, pensando numa solução. Pela primeira vez estavam se dando conta de que não era tão fácil assim mandar um telegrama. Serviu-se o costumeiro cafezinho, enquanto cada qual do seu lado procurava uma maneira de escrever para a senhora em viagem sem que isto tivesse consequências desastrosas. De repente o irmão psicólogo explodiu num grito eurekiano de descoberta:
– Achei!
Escreveu febrilmente no papel. O telegrama passou de mão em mão e foi finalmente aprovado por todo mundo. Seu texto dizia: “SIGA VIAGEM. DIVIRTA-SE. TUA IRMÃ ESTÁ ÓTIMA.”
(JÔ SOARES. O Globo. 26/10/1975)
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Baseado no texto acima resolva as questões que se seguem.
1. Relacione as colunas de acordo com o significado das palavras:
a. aquele que sofre do coração                    1.(    ) precauções
b. péssimo, detestável                                    2.(    ) trocadilho
c. cautela, prevenção                                      3.(    ) cardíaco
d. injúria, ofensa, ultraje                              4.(    ) infame
e. jogo de palavras de duplo sentido        5.(    ) insulto
2. Muitas palavras se associam por uma espécie de ligação de sentido, isto é, uma palavra pode sugerir uma série de outras que, embora não sejam sinônimas, com elas se relacionam. A esse agrupamento damos o nome de área semântica. Por exemplo: medicina -> médico, paciente, doença, hospital, facultativo, bisturi, etc.
Retire do texto palavras ou expressões que pertencem à área semântica de:
a)    família
b)    formas de escrever
3. Que fato desencadeia a narrativa?
4. Por que os parentes estavam tão preocupados com a redação do telegrama?
5. Quem fez a redação do telegrama que causou maior revolta?
6. Por que os familiares colocaram o netinho para fora da sala?
7. Como se pode interpretar a atitude do garoto?
8. Por que a redação feita pelo filho mais velho não foi aceita?
9. Que aspectos do comportamento humano são retratados pelo Autor nessa história?
10. Há um famoso provérbio árabe que diz: “A primeira vez em que tu me enganares a culpa será tua; mas na segunda vez, a culpa será minha.” Como você entende essa afirmativa?
11. De acordo com a característica dada, identifique os personagens da história relacionados à viajante:
a) pão-duro, sovina
b) psicólogo
c) convencido
d) médico
e) crítico
f)  analista minucioso
12. Transcreva do texto, o trecho que resume a história.